O que é hreflang e como configurá-lo num site multilingue

Resposta curta: hreflang é uma anotação que diz à Google que uma página existe em várias versões de idioma ou de país, e que versão corresponde a cada público. Assim, a Google pode mostrar a página em português a quem pesquisa em português, a versão inglesa a quem pesquisa em inglês e, se as tiver, versões separadas para Portugal e para o Brasil. Cada versão tem de apontar para si própria e para todas as outras; caso contrário, a Google ignora as anotações.
Quem precisa de hreflang?
Precisa de hreflang se o mesmo conteúdo existe em vários idiomas, por exemplo as suas páginas de serviços em português e em inglês, ou se tem versões para países diferentes na mesma língua, como uma loja para Portugal e outra para o Brasil. Se o seu site tem um só idioma e um só país de destino, não precisa.
Sem hreflang, a Google pode mostrar a versão errada, como a página brasileira com preços em reais a alguém que pesquisa em Coimbra, ou tratar as versões como cópias que concorrem entre si. A Google aponta precisamente o caso de conteúdo na mesma língua dirigido a vários países como exemplo de quando faz sentido marcar as versões alternativas (Google Search Central).
Casos típicos em Portugal:
- uma empresa de software de Lisboa com o site em português e em inglês;
- um hotel no Algarve com versões em português, inglês, espanhol, francês e alemão;
- uma loja online que vende para Portugal e para o Brasil, com preços, portes e meios de pagamento diferentes;
- uma empresa industrial de Aveiro que exporta e quer páginas em inglês e em espanhol.
Como se escreve o hreflang
Há três métodos, e para a Google são equivalentes (Google Search Central):
- Etiquetas link no head da página. O mais comum em páginas web normais.
- Cabeçalhos HTTP. Para ficheiros que não são HTML, como os PDF.
- O sitemap XML. Prático em sites grandes, porque o código não tem de estar em cada página.
Usar vários métodos ao mesmo tempo não traz nada de extra. É assim que ficam as etiquetas para uma página em português, inglês e espanhol:
<link rel="alternate" hreflang="pt" href="https://exemplo.pt/servicos" />
<link rel="alternate" hreflang="en" href="https://exemplo.pt/en/services" />
<link rel="alternate" hreflang="es" href="https://exemplo.pt/es/servicios" />
<link rel="alternate" hreflang="x-default" href="https://exemplo.pt/servicos" />As quatro linhas têm de aparecer nas três páginas: a portuguesa, a inglesa e a espanhola. No sitemap, a mesma informação vai dentro de cada URL:
<url>
<loc>https://exemplo.pt/servicos</loc>
<xhtml:link rel="alternate" hreflang="pt" href="https://exemplo.pt/servicos" />
<xhtml:link rel="alternate" hreflang="en" href="https://exemplo.pt/en/services" />
</url>Se usa WordPress, a maioria dos plugins de idiomas gera estas etiquetas automaticamente. Mesmo assim, convém confirmá-las no código-fonte da página. Se não sabe que gestor de conteúdos usa o seu site, leia o que é um CMS.
As regras que têm de ser cumpridas
O hreflang só funciona se todas as versões estiverem corretamente ligadas entre si:
- Cada versão refere-se a si própria e a todas as outras. Se a página portuguesa aponta para a inglesa, a inglesa tem de apontar de volta. As ligações sem retorno são ignoradas (Google Search Central).
- URL completos, com https://. Um caminho relativo como /servicos não é válido: os URL alternativos têm de ser totalmente qualificados (Google Search Central).
- Códigos corretos. Primeiro o idioma segundo a ISO 639-1 e, opcionalmente, o país segundo a ISO 3166-1 Alfa 2. Não pode indicar apenas o país: um
beisolado significa bielorrusso, não Bélgica (Google Search Central). - x-default marca a página mostrada quando o idioma do utilizador não corresponde a nenhuma versão. Encaixa especialmente bem em páginas de seleção de idioma ou de país (Google Search Central).
- Aponte apenas para páginas que funcionam e que são canónicas, nunca para redirecionamentos nem para páginas de erro.
Um pormenor importante: a Google não usa o hreflang nem o atributo lang para descobrir em que idioma está uma página. Deduz o idioma a partir do conteúdo visível (Google Search Central). O hreflang só a ajuda a escolher que versão mostrar. Como a Google tinha 87,34 % das pesquisas em Portugal em setembro de 2026, contra 10,18 % do Bing (StatCounter), é a documentação da Google que serve de referência neste artigo.
pt, pt-PT, pt-BR: hreflang para o português
O código de idioma do português é pt (Library of Congress). PT é também o código de país de Portugal, mas como país só funciona a seguir a um idioma: pt-PT, en-PT ou es-PT.
| Código | Significado | Válido? |
|---|---|---|
pt | Português, seja qual for o país | Sim |
pt-PT | Português para utilizadores em Portugal | Sim |
pt-BR | Português para utilizadores no Brasil | Sim |
pt-AO | Português para utilizadores em Angola | Sim |
en-PT | Inglês para utilizadores em Portugal | Sim |
PT | Um país sem idioma | Não |
br | Não é o Brasil: é o código ISO 639-1 do bretão | Válido, mas para outra língua |
pt-419 ou es-419 | Códigos regionais fora das normas ISO usadas pela Google | Não, a Google não os aceita |
A Google diz expressamente que não aceita códigos fora das normas ISO, como es-419 (Google Search Central). O erro inverso também acontece: escrever br a pensar no Brasil. Isolado, br é lido como idioma, e o código ISO 639-1 br pertence ao bretão (Library of Congress).
Quando faz sentido separar pt-PT e pt-BR? Quando as versões são realmente diferentes: preços em euros ou em reais, IVA ou impostos brasileiros, portes de envio, meios de pagamento como Multibanco e MB WAY, telefone de contacto, condições legais e, claro, vocabulário («telemóvel» e «celular», «ecrã» e «tela»). Se tem apenas um site em português para Portugal, pt costuma bastar, e assim cobre também quem pesquisa em português noutros países. Páginas quase idênticas em que só muda o nome do país acrescentam pouco.
Escolha uma forma de escrever os códigos e use-a da mesma maneira no hreflang, no atributo lang e no sitemap. E traduza de verdade: a Google recomenda um único idioma por página, tanto no texto como na navegação (Google Search Central). Uma página em inglês com metade do menu em português confunde utilizadores e motores de busca. Traduza também os URL: /en/services é mais claro para o utilizador do que /en/servicos.
Como fazemos no nosso próprio site
O nosso site existe em vários idiomas, por isso tivemos de resolver isto nós próprios:
- O inglês está na raiz, sem /en, e os outros idiomas têm o seu próprio prefixo, como /sv, /de, /es ou /pt.
- Os artigos do blogue que existem em vários idiomas são artigos próprios, com o seu URL e as suas palavras-chave para cada mercado. São ligados com hreflang mesmo com URL traduzidos: este artigo é /pt/blog/o-que-e-hreflang e a versão espanhola é /es/blog/que-es-hreflang.
- O x-default aponta para a versão inglesa quando ela existe.
- Temas diferentes não levam hreflang. A nossa página sobre integração SAP e a página sueca sobre o Fortnox tratam produtos diferentes, por isso não se ligam entre si, mesmo tendo a mesma estrutura.
- Tudo é gerado automaticamente a partir dos mesmos dados que decidem que páginas existem em cada idioma. Assim, não é possível esquecer o código quando se acrescenta uma página ou um idioma novo, e nunca apontamos para uma versão que não existe.
Os erros de hreflang mais comuns
A Ahrefs analisou 374.756 domínios com hreflang e concluiu que 67 % tinham pelo menos um erro (Ahrefs):
| Erro | Percentagem de domínios |
|---|---|
| Falta o x-default | 56,3 % |
| A página não se refere a si própria | 18 % |
| Aponta para páginas com erro ou redirecionadas | 16,9 % |
| Faltam as ligações de retorno | 15,3 % |
| Aponta para páginas não canónicas | 8 % |
| Códigos de idioma ou país inválidos | 4,6 % |
Outro erro frequente é redirecionar automaticamente o visitante para outra versão consoante o idioma do navegador. A Google desaconselha-o, porque nem os utilizadores nem os motores de busca conseguem então chegar a todas as versões (Google Search Central). É melhor um seletor de idioma bem visível.
Se a Google está a mostrar a versão certa em cada mercado, pode confirmá-lo no relatório de desempenho do Google Search Console, filtrando por país e por página. O tutorial do Google Search Console mostra como.
Estrutura de URL para um site multilingue
A Google descreve quatro formas de organizar um site multilingue ou internacional (Google Search Central):
| Estrutura | Exemplo | Comentário |
|---|---|---|
| Domínio de país | exemplo.com.br | O sinal mais claro para um país, mas mais domínios para manter |
| Subdomínio | br.exemplo.com | Fácil de separar tecnicamente |
| Subdiretório | exemplo.pt/en/ | O mais fácil de manter: um só domínio reúne toda a autoridade |
| Parâmetro de URL | exemplo.pt?lang=en | A Google não o recomenda |
Para a maioria das PME portuguesas, os subdiretórios são a opção mais simples. Se mudar a estrutura num redesign, planeie o hreflang, os redirecionamentos e o sitemap no mesmo passo. As bases de como a Google encontra e escolhe as páginas estão em o que é SEO e como funciona o SEO.
Como verificar o hreflang em cinco passos
Não precisa de nenhuma ferramenta paga para uma primeira revisão:
- Abra o código-fonte de uma página e procure «hreflang». Confirme que aparecem todas as versões, incluindo a própria página.
- Repita em cada versão. A lista tem de ser idêntica na página portuguesa, na inglesa e nas restantes.
- Abra cada URL da lista. Nenhum deve redirecionar nem dar erro, e todos devem ser a versão canónica.
- Reveja os códigos com a tabela acima: idioma primeiro, país depois, nada de
PTisolado,brpara o Brasil oupt-419. - Confirme que existe x-default, a falha mais frequente no estudo da Ahrefs.
Em sites grandes, um crawler de SEO faz este trabalho em minutos. Se preferir que sejamos nós a revê-lo, juntamente com o resto da parte técnica, é um dos pontos da nossa auditoria SEO.
Perguntas frequentes
O que é hreflang?
Hreflang é uma anotação no código de uma página, nos cabeçalhos HTTP ou no sitemap que indica à Google que a página existe noutras versões de idioma ou de país, e qual corresponde a cada público. Ajuda a Google a mostrar a versão certa, mas não serve para a Google detetar o idioma.
Que código hreflang devo usar para o português?
Use pt para conteúdo em português, seja qual for o país. Se tem versões diferentes por país, combine o idioma com o código do país: pt-PT para Portugal, pt-BR para o Brasil ou pt-AO para Angola. PT sozinho, sem idioma, não é válido.
Preciso de separar pt-PT e pt-BR?
Só se as versões forem realmente diferentes, por exemplo em preços, moeda, portes, meios de pagamento, condições legais ou vocabulário. Se tem um único site em português para Portugal, o código pt costuma bastar.
O que é o x-default no hreflang?
O x-default indica que página é mostrada quando o idioma ou a região do utilizador não correspondem a nenhuma das versões. Costuma apontar para a versão principal ou para uma página de seleção de idioma.
Preciso de hreflang se o meu site está só em português?
Não, se tem uma única versão num único idioma. O hreflang só é necessário quando o mesmo conteúdo existe em vários idiomas ou em versões para países diferentes.
Qual é o erro mais comum com o hreflang?
Segundo um estudo da Ahrefs a quase 375.000 domínios, 67 % tinham pelo menos um erro. O mais frequente era a falta do x-default, seguido de páginas que não se referem a si próprias e de ligações para páginas com erro ou redirecionadas.
Como se organiza um site multilingue?
A Google descreve quatro estruturas: domínios de país, subdomínios, subdiretórios e parâmetros de URL. Para a maioria das PME, os subdiretórios, como exemplo.pt/en/, são os mais fáceis de manter. A Google não recomenda os parâmetros de URL.
Fontes
- Informar o Google sobre versões localizadas da sua página, Google Search Central
- Gerenciar sites multilíngues e multirregionais, Google Search Central
- Hreflang study, Ahrefs
- Codes for the Representation of Names of Languages (ISO 639-2 / 639-1), Library of Congress
- Search Engine Market Share Portugal, StatCounter








